quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Logùn Odè-Logun Edé


  • DIA: Quinta-feira
  • DATA: 19 de abril
  • METAIS: Ouro e bronze
  • CORES: Azul-turquesa e Amarelo-ouro
  • COMIDAS: Axoxó e Omolocum
  • SÍMBOLOS: Balança, ofá, abebè e cavalo-marinho
  • ELEMENTOS: Terra (floresta) e água (de rios e cachoeiras)
  • REGIÃO DA ÁFRICA: Ilesá
  • PEDRAS: Topázio e Turquesa
  • FOLHAS: Oripepê e todas as folhas de Oxóssi e Oxum
  • ODU QUE REGE: Obará
  • DOMÍNIOS: Riqueza, fartura e beleza
  • SAUDAÇÃO: Logun ô akofá!!!


    Origem e História

    Logun Edé (lógunèdè) é o orixá da riqueza e da fartura, filho de Oxum e Oxóssi, deus da guerra e da água. É, sem dúvida, um dos mais bonitos orixás do Candomblé, já que a beleza é uma das principais características dos seus pais.

    Caçador habilidoso e príncipe soberbo, Logun Edé reúne os domínios de Oxóssi e Oxum e quase tudo que se sabe a seu respeito gira em torno de sua paternidade.

    Apesar de sua história, é preciso esclarecer que Logun Edé não muda de sexo a cada seis meses, ele é um orixá do sexo masculino. Sua dualidade se dá em nível comportamental, já que em determinadas ocasiões pode ser doce e benevolente como Oxum e em outras, sério e solitário como Oxóssi. Logun Edé é um orixá de contradições; nele os opostos se alternam, é o deus da surpresa e do inesperado.

    Na Nigéria, a cidade de Logun Edé chama-se Ilesa e é uma das mais ricas e prósperas da África, mas o seu culto na região está em via de extinção. Para recuperar um pouco de sua história é preciso voltar à sua cidade, onde encontram-se seu palácio e seus principais sacerdotes.

    Na África negra, dizem que Logun Edé seria na verdade Ólòlún Ode - o guerreiro caçador-, o maior entre todos os caçadores, pai de todos eles, inclusive de Oxóssi. E se observar-mos a cantiga de Oxóssi, veremos que expressão Omo ode, ou seja, filho do caçador, é constante, podendo inferir certa lógica nas histórias contadas pelos africanos. Vejamos um exemplo:

    Omo Ode l’oní, omo Ode lúwàiyé
    Omo Ode l’oní, omo Ode lúwàiyé.

    O filho do caçador é o senhor,
    O filho o caçador é o senhor da Terra.

    Todavia, não podemos desconsiderar o processo cultural que deu origem ao Candomblé e as diferenças fundamentais que existem entre os cultos aos orixás no Brasil e na África. O Candomblé é um ‘resumo de toda a África mística’. Muitos deuses que na África mantinham a sua autonomia, no Brasil foram reunidos em um único orixá e divididos em diversas qualidades.

    Oxum Yéyé Ipondá e Odé Erinlé são, respectivamente, as qualidades de Oxum e Oxóssi que se consideram os pais de Logun Edé. Nós brasileiros sabemos cultuar orixá muito bem, já adquirimos tradição própria que difere, evidentemente, da africana. No Candomblé brasileiro, Oxóssi e Oxum são os pais de Logun Edé, um deus único que encontra em sua paternidade uma forma de existir e residir, pois seu culto se mantém até hoje e é cada vez mais crescente no Brasil. Depois há quem diga na África que Logun Edé é, na verdade, uma altiva versão masculina da própria Oxum:

    Lógunèdé? Òsun ni!

    Logun Edé? Ele é Oxum!

    Uma bela cantiga fala do pai de Logun Edé, de sua força como caçador do respeito que inspira:


    Silêncio!
    Permaneçam em silêncio,
    Ele é o caçador.
    Senhor orixá afogue-me, não me fira,
    Afogue-me com o entendimento do culto,
    Orixá caçador das florestas.
    Aquele que só usa uma flecha
    E que jamais erra.
    Somos filhos de Erinlé,
    Somos filhos daquele que mata a caça.
    Caçado das florestas
    Que foi o primeiro a obter riquezas,
    O primeiro a tornar-se rico,
    Pai, caçador das florestas,
    Seu arco e sua flecha
    Originam-se da mais alta tradição.

    A história revela que Oxóssi, feliz pelo filho vindouro, declarou a Oxum o seu amor e pediu a ela posse do menino:

    -Oxum, por amor a você, quero que Logun Edé fique comigo, vou ensiná-lo a caçar. Comigo ele aprenderá os segredo da floresta.

    Mas Oxum também amava Logun Edé e por maior que fosse seu amor por Oxóssi ela não poderia separar-se de seu filho então declarou:

    -Logun Edé viverá seis meses com sua mãe e seis meses com o seu pai, comerá do peixe e da caça. Ele será Oxóssi e será Oxum, mas sem deixar de ser ele mesmo, Logun Edé: uma princesa na floresta e um caçador sobre as ondas!

Òbá


  • Dia: Quarta-feira
  • Data: 30 e 31 de maio.
  • Metal: Cobre
  • Pedra: Marfim, coral, esmeralda, olho de leopardo.
  • Cor: Marron rajado, vermelho e amarelo
  • Comida: Abará ( massa de feijão fradinho enrolado em folhas de bananeira, acarajé e amalá ( quiabo picado ).
  • Símbolo: Ofange ( espada ) e escudo de cobre, ofá (arco e flecha)
  • Elementos: fogo e águas revoltas
  • Região da África: Òyó
  • Pedra: granada
  • Folhas: candeia, negamina, folha de amendoeira
  • Odú que rege: Obeogundá
  • Domínios: amor e sucesso profissional
  • Saudação: Obà Siré


    Orígem e História

    - Obasy, rio revolto
    - Obasy, mística e idosa, com bons costumes, porém, grosseira.
    - Obasy, mulher valente, orixá de uma orelha só.
    - Obasy, quando em fúria transborda, agita-se.

    Obasy é a senhora da sociedade elekoo, porém no Brasil esta sociedade está muito restrita, sendo assim , esta sociedade passou a cultuar egungun. Deste modo, obasy é a senhora da sociedade lesse-orixa. Ela é uma das três esposa de xangô. Oxum aconselhou a ela que retirasse uma das orelhas para dar a xangô em um prato de caruru, ela o fez, quando viu que oxum não tinha feito isso antes, evocou-se e as duas brigaram, xangô em sua ira as expulsou de casa, transformando-as em dois rios.

    Tudo relacionado a Obasy é envolto em um clima de mistérios, e poucos são os que entendem seus atos aqui no Brasil. Certas pessoas a cultuam como se fosse da família ji, ao passo que outras a cultuam como se fosse um Xangô fêmea. Obasy e ewa são semelhante, são primas e ambas possuem oro omi osun. Ela usa ofá (arco e flecha) assim como Ewa e ambas são identificadas também com Odé. Obasy usa a festa da fogueira de xangô para poder levar suas brasas para seu reino, desta forma é considerada uma das esposas de xangô mais fieis a ele.

    OBA é ORIXÁ ligado a água, guerreira e pouco feminina. Suas roupas são vermelhas e brancas, leva um escudo, uma espada, uma coroa de cobre. Usa um pano na cabeça para esconder a orelha cortada. Conta e lenda que OBA, repudiada por XANGÔ. vivia sempre rondando o palácio para voltar.

    XANGÔ fica horrorizado com a mutilação e expulsa-a para sempre. 0 tipo psicológico dos filhos de OBA, constitui o estereotipo da mulher de forte temperamento, terrivelmente possessiva e carente. Ao contrário de IANSÃ, é mulher de um homem só, fiel e sofrida. São combativas, impetuosas e vingativas. OBA é um ORIXÁ que raramente se manifesta e há pouco estudo sobre ela. Talvez porque nos dias de hoje, mesmo na África ou Brasil, não há espaço para essas caracteristicas do feminino, que cada vez mais recupera seu poder de YANSÃ.

    Obá é amulher consciente de seu poder, que luta e reinvidica seus direitos, que enfrenta qualquer homem --menos aquele que tomar seu coração. Ela abraça qualquer causa, mas se rende a uma paixão. Obá é a mulher que se anula quando ama.

    Obá nasceu do ventre rasgado de Yemonjá após o incesto de Orugan, ela e mais um sem-número de Orixás. Em toda a África Obá era cultuada como agrande deusa protetora do poder feminino, por isso também é saudda como Iyá Agbá, e mantém estreitas relações com as Iya Mi. Era uma mulher forte, que comandava as demais e desafiava o poder masculino. Obá lutou contra todos os Orixás, venceu a batalha contra Oxalá, derrotou Xangô e Orunmilá, e tornou-se temida por todos os deuses.

    Obá, Obá, Obá,
    Orixá do ciúme,
    Terceira mulher de Xangô.

    O açoite do ciúme gravado na carne.
    Fala da fama do marido,
    Move mágoas na madrugada,
    Come cabrito pela manhã.

    Discutindo cm Oxum,
    Não foi a Kossó com Xangô.

    Obá abraça os braços do marido,
    A parte do seu corpo que a prende
    Obá sabe que é bom.

    Embora Obá tenha se transformado em rio, é uma deusa relacionada ao fogo, pois, quem conhece o rio Obá, na Nigéria, sabe que é um rio de águas revoltas, em constante movimento, por isso é sinônimo de fogo.

    Obá é saudada como o Orixá do ciúme, mas não se pode esquecer que o ciúme é o colário inevitável do amor, por tanto Obá é um Orixá do amor, das paixões, com todos os dissabores e sofrimentos que o sentimento pode acarretar. Obá tem ciúme porque ama.

    O lado esquerdo (Osì) sempre esteve relacionado à mulher e, por uma razão muito elementar, é o lado do coração. Quando Obá é saudada como guardiã da esquerda, isso quer dizer qe é a guardiã de todas as mulheres, aquela que compreende os sentimentos do coração, pois Obá pensa com o coração.

    Como pode uma deusa ligada a esses sentimentos, se dedicar à guerra? Toda energia de suas paixões frustradas ela canaliza para a guerra, tornando-se a guerreira mais valente, que nenhum homem ousa enfrentar. Obá supera a angústia de viver sem ser amada. Mas será que Obá nunca foi amada de fato?

    Obá troca um palácio por uma tapera, troca todas as riquezas do mundo por uma frase: "Eu te amo".


Ewà


  • Dia: Sábado
  • Data: 13 de dezembro
  • Metal: Ouro, prata e cobre.
  • Cor: Vermelho maravilha, coral e rosa
  • Comida: Banana inteira feita em azeite de dendê com farofa do mesmo azeite, feijão fradinho.
  • Símbolo: Ejô ( cobra ) e espada, Ofá (lança ou arpão), cabaça com cabo alongado enfeitado com palha da costa, palmeira de leque, espingarda.
  • Elementos: florestas, céu rosado, astros e estrelas, água de rios e lagoas.
  • Região da África: Mahi ou Egbado
  • Pedras: rubí e quartzo rosa
  • Folhas: Teteregun (cana do brejo), folha de Santa Luzia, Ojú Orô, Osibatá
  • Odú que rege: Obeogundá
  • Domínios: beleza, vidência (sensibilidade, sexto sentido), criatividade
  • Saudação: Ri Ro Ewá


    Orígem e História

    Ewá é uma bela virgem que entregou seu corpo jovem a Xangô, marido de Oya, despertando a ira da rainha dos raios. Ewá refugiou-se nas matas inalcançáveis, sob a proteção de Oxossi, e tornou-se guerreira valente e caçadora abilidosa.

    Conseguiu frustrar a vingança de Oyá, afastou de si a morte certa. É isso o que mostra um de seus mais belos Orikís:

    Era mais do que o medo...Era o medo...
    Era a noite, na noite do medo...
    Era o vento, era a chuva, era o céu, era o ar...
    Era a vingança de Oyá...EpaHei!
    Assustava o escuro da noite e assustava a luz azulada dos raios...
    O silêncio se ouvia da noite nos pés medrosos
    Que corriam sobre as poças de água na areia batida.
    Até o silêncio fugia do rugido do trovão...
    Era o medo, era mais do que o medo de Ewá
    Correndo com os pés descalços sobre as poças de areia batida.
    O mar lambia seus pés,
    Querendo tragá-la por sua boca faminta de coisas vivas.
    A noite engolia em sua goela escura e a vomitava no clarão dos raios...
    A luz azulada dos raios brilhando no corpo nú e úmido de Ewá.....

    As virgens contam com a proteção de Ewá e, aliás, tudo que é inexplorado conta com a sua proteção: a mata virgem, as moças virgens, rios e lagos onde não se pode nadar ou navegar. A própria Ewá acreditam alguns, só rodaria na cabeça de mulheres vírgens (o que não se pode comprovar), pois ela mesma seria uma virgem, a virgem da mata virgem dos lábios de mel.

    Ewá domina a vidência, atributo que o deus de todos os oráculos, Orunmilá lhe concedeu.

    Na África, o rio Yewá é a morada dessa deusa, mas sua orígem gera polêmicas. A quem diga que, a exemplo de Oxumaré, Nanã, Omulú e Iroko, Ewá era cultuada inicialmente entre os Mahi e foi assimilada pelos Iorubás e inserida em seu panteão. Havia um Orixá feminino oriundo das correntes do Daomé chamado Dan. A força desse Orixá estava concentrada em uma cobra que engolia a própria cauda, o que denota um sentido de perpétua continuidade da vida, pois o círculo nunca termina.

    Ewá seria a ressignificação de Dan ou uma de suas metades --A outra seria Oxumaré. Existem, porém, os que defendem que Ewá já pertencia à mitologia Nagô, sendo originária na cidde de Abeokutá. Estes, certamente, por desconhecer o panteão Jeje --No qual o Vodun Eowa, da família Danbirá, seria o correspondente da Ewá dos Nagô, --Confundem Ewá com uma qualidade de Yemonjá. Erram porque Ewá é um Orixá independente, mas sua orígem não se esclarece sequer entre os Jeje, pois em respeitados templos de Voduns afirma-se que Eowa é Nagô.

    Eowá foi uma cobra muito má e por isso foi mandada embora. Acabou encontrando abrigo entre os Iorubás, que a transformaram em uma cobra boa e bela, --A metade feminina de Oxumaré. Por esse motivo, Oxumaré e Ewá, em qualquer ocasião, dançam juntos.


Yemoja-Yemanja


  • Dia: Sábado
  • Data: 02 de fevereiro
  • Metal: Prata e Prateados.
  • Pedra: Água marinha.
  • Cor: Branco, criatal, azul e rosa
  • Comida: Ebô de milho branco e camarão seco, manjar branco com leite de coco e açúcar, acaçá, peixe de água salgada, bolo de arroz e mamão.
  • Símbolo: Abebé prateado.
  • Elementos: águas doces que correm para o mar, águas do mar
  • Região da África: Egbà e Abeokunta
  • Pedras: cristal e água marinha
  • Folhas: pata-de-vaca, umbaúba, mentrasto
  • Odú que rege: Yorosun
  • Domínios: maternidade (educação), saúde mental e psicológica
  • Saudação: Erù-Iyá, Odó-Iyá


    Orígem e História




    No Brasil, é muito venerada, e seu culto tornou-se quase independente do CANDOMBLÉ. É representada como uma sereia de longos cabelos pretos. Rege a maternidade, é mãe dos peixes que representam fecundidade. Seu dia é sábado. Nas grandes "obrigações", são oferecidos cabra branca, pata ou galinha branca. Gosta muito de flores e é costume oferecer-lhe de quatro a sete rosas brancas abertas, que são jogadas ao mar para agradecimento. Sua cor é o branco com azul. Usa um ADÉ com franjas de miçangas que esconde o rosto. Leva na mão o BÉBÊ -- leque ritual de metal prateado de forma circular, com uma sereia recortada no centro.

    YEMANJÁ, por presidir a formação da individualidade, que como sabemos está na cabeça, está presente em todos os rituais, especialmente o BORI.

    È a rainha de todas as águas do mundo, seja dos rios, seja as do mar. Seu nome deriva da expressão YéYé Omó Ejá, que significa, mãe cujo filhos são peixes. Na África era cultuada pelos egbá, nação Iorubá da região de Ifé e Ibadan onde se encontra o rio Yemojá. Esse povo se tranferiu para a região de Abeokutá, levando consigo os objetos sagrados da deusa, e foram depositados no rio Ogum, o qual, diga-se de passagem, não tem nada a ver com o Orixá Ogum, apesar de no Brasil Yemojá ser cultuada nas águas salgadas, sua orígem é de um rio que corre para o mar. Inclusive, todas as suas saudações, orikís e cantigas remetem a essa orígem, Odó Iyà por exemplo, significa mãe do rio, já a saudação Erù Iyà faz alusão às espumas formadas do encontro das águas do rio com as águas do mar, sendo esse um dos locais de culto a Yemonjá.

    Yemonjá é a mãe de todos os filhos, mãe de todo mundo; É ela quem sustenta a humanidade e, por isso, os órgão que a relacionam à maternidde, ou seja, sua vulva e seus seios chorosos, são sagrados.

    Yemonjá que se estende na amplidão,
    Aiyabá que vive na água funda,
    Faz amata virar estrda,
    Bebe cachaça na cabaça,
    Permanece plena em presença do rei.

    Yemonjá se vira quando vem a ventania,
    Gira e rodopia em volta da vila.
    Yemonjá descontente destrói pontes.
    Come na casa, come no rio...

    Mar, dono do mundo,
    Que sra qualquer pessoa.
    Velha dona do mar.
    Fêmea flauta, acorda em acordes na csa do rei,
    Descansa qualquer um em qualquer terra.
    Cá na terra, cala-à flor-dàgua, fala...

    Yemonjá é o espelho do mundo, que reflete todas as diferenças, pois a ãe é sempre um espelho para o filho, um exemplo de conduta. Ela é a mãe que orienta, que mostra os caminhos, que educa, e sabe, sobre tudo, explorar as potencialidades que estão dentro de cada um, como fez com os guerreiros de Olofin, mostrando o quanto eram bons em seus ofícios, mas dizendo, ao mesmo tempo, que a guerra maior é a que travamos contra nós mesmos.

    Yemonjá foi violentada por seu próprio filho, Orugan; Dessa relação incestuosa nasceram diversos Orixás e deus seios rasgados jorraram todos os rios do mundo. Yemonjá acabou se desmanchando em suas próprias lágrimase trasformando-se num rio que correu em direção ao oceano. Por tanto não é por acaso que as lágrimas e o mar tem o mesmo sabor.

    Dissimulada, e aridlosa, Yemonjá faz uso da chantagem afetiva para manter os filhos sempre perto de sí.vÉ conciderada a mãe da maioría dos Orixás de Orígem Iorubá. É o tipo de mãe que quer os filhos sempre por perto, que tem uma palavra de carinho, um conselho, um alívio psicológico. Quando os perde é capaz de desequilibrar-se completamente.

    Yemonjá é a mãe que não faz distinção dos seus filhos, sejam como forem, tenham ou não saído de seu ventre. Quando humildemente criou, com todo amor e carinho, aquele menino cheio de chagas, fez irromper um grande guerreiro. Yemonjá criou Omulu, o filho de senhor, o rei da terra, o próprio SOL.

Nàná Burukù-Nanã


  • Dia: sábado
  • Data: 26 de Junho
  • Metal: Latão
  • Cores: Branco e azul (preto ou roxo)
  • Comidas: Aberém, mugunzá, mostarda e taioba
  • Símbolos: Ibiri e bradjá
  • Elementos: Águas paradas e lamacentas
  • Região da África: Ex-Daomé
  • Pedra: Ametista
  • Folhas: Folha-da-costa, folha de mostarda, manacá, ojú oro, oxibatá, papoula roxa, quarana
  • Odu que Rege: Odilobá
  • Domínios: Vida e morte, saúde e maternidade
  • Saudação: Salúba!


    Origem e História

    Nanã, a deusa dos mistérios, é uma divindade de origem simultânea à criação do mundo, pois quando Odudua separou a água parada, que já existia, e liberou do “saco da criação” a terra, no ponto de contato desses dois elementos formou-se a lama dos pântanos, local onde se encontram os maiores fundamentos de Nana. Senhora de muitos búzios, Nana sintetiza em si morte, fecundidade e riqueza. Seu nome designa pessoas idosas e respeitáveis e, para os povos jeje, da região do antigo Daomé, significa “mãe”. Nessa região, onde hoje se encontra a República do Benin, Nana é muitas vezes considerada a dinvidade suprema e talvez por essa razão seja freqüentemente descrita como um orixá masculino.

    Em algumas regiões da África, Nana é conhecida como Inie e sua autoridade é ressaltada em um belo Oriki:

    Para o alto não podemos subir,
    Do alto escorregamos.
    De volta pra casa,
    Não falar (do que viu).
    Vamos celebrar a festa do ano.
    O proprietário da casa esta em casa,
    O estranho pede caminho,
    Se Inie me dá, eu tomo.
    Se Inie recusa, eu não peço.

    Sendo a mais antiga das divindades das águas, ela representa a memória ancestral de nosso povo: é a mãe antiga (Iyá Agbà) por excelência. É mãe dos orixás Iroko, Obaluaiê e Oxumaré, mas por ser a deusa mais velha do candomblé é respeitada como mãe por todos os outros orixás.

    A vida está cercada de mistérios que ao longo da História atormentam o ser humano. Porém, quando ainda na Pré-História, o homem se viu diante do mistério da morte, em seu âmago irrompeu um sentimento ambíguo. Os mitos aliviavam essa dor e a razão apontava para aquilo que era certo em seu destino.

    A morte faz surgir no homem os primeiros sentimentos religiosos, e nesse momento Nana se faz compreender, pois nos primórdios da História os mortos eram enterrados em posição fetal, remetendo a uma idéia de nascimento ou renascimento. O homem primitivo entendeu que a morte e a vida caminham juntas, entendeu os mistérios de Nana.

    Nana é o princípio, o meio e o fim; o nascimento, a vida e a morte.

    Ela é a origem e o poder. Entender Nana e entender o destino, a vida e a trajetória do homem sobre a terra, pois Nana é a História. Nana é água parada, água da vida e da morte.

    Nana é o começo porque Nanã é o barro e o barro é a vida. Nana é a dona do axé por ser o orixá que dá a vida e a sobrevivência, a senhora dos ibás (que deveriam ser de barro) que permite o nascimento dos deuses (no barro dos ibás) e dos homens.

    Nana pode ser a lembrança angustiante da morte na vida do ser humano, mas apenas para aqueles que encaram esse final como algo negativo, como um fardo extremamente pesado que todo ser carrega desde o seu nascimento. Na verdade, apenas as pessoas que têm o coração repleto de maldade e dedicam a vida a prejudicar o próximo preocupam-se com isso. Aqueles que praticam boas ações vivem preocupados com o seu próprio bem, com sua elevação espiritual, e desejam ao próximo o mesmo que pra si, só esperam da vida dias cada vez melhores e têm a morte como algo natural e inevitável. A sua certeza é a imortalidade de sua essência.

    Nana, a mãe maior, é a luz que nos guia, nosso cotidiano. Conhecer a própria vida e o próprio destino é conhecer Nana, pois os fundamentos dos orixás e do Candomblé estão ligados à vida. A nossa vida é o nosso orixá.

    Nana Buruku foi a primeira esposa de Oxalá, mas perdeu o seu grande amor para Iemanjá.

    Muito sábia Nana era considerada por todos a guardiã da justiça. Era de fato juíza, as pessoas, especialmente as mulheres, costumavam queixar-se a ela, que fazia os julgamentos e aplicava os castigos. A coruja, animal que representa a sabedoria, pertence a Nana.

    O que surpreendia nas sentenças de Nana é que ela só castigava os homens. Havia um jardim criado por ela especialmente para abrigar os eguns ---era o país da morte. Os maridos faltosos eram amarrados em uma das árvores. Nana convocava os eguns para assustá-los e, quando o pavor era insuportável, eles eram soltos.

    Nana não vira na cabeça de homem, aliás, Nana abomina a figura masculina, pois o homem, através do esperma, líquido que é símbolo de Oxalá, semeia o óvulo e gera uma nova vida. Nana é a morte que reside no âmago da vida, que possibilita o renascimento. A vida e tudo que a representa ---o esperma (homem) e o sangue ---são considerados tabus para Nanã.

    É na morte, condição para o renascimento e para a fecundidade, que se encontram os mistérios de Nana. Respeitada e temida, Nana, deusa das chuvas, da lama, da terra, juíza que castiga os homens faltosos, é a morte na essência da vida.


Osáàlá Ogian-Oxaguiã


  • Dia: Sexta-feira
  • Data: 15 de janeiro
  • Metal: Todos os metais brancos.
  • Pedras: Cristal, quartzo, diamante, segi
  • Cor: Branco leitoso e prata
  • Comida: Inhame pilado
  • Símbolos: espada, mão-de-pilão, varas de atorí, ofá
  • Elementos: ar, atmosfra
  • Região da África: Ejigbó
  • Folhas: Levante e arruda
  • Odú que rege: Ejionilé
  • Domínior: lutas diárias (pelo sustento, trabalho), paz, alimentação
  • Saudação: Epa Bàbá


    Orígem e História

    OXALÁ é o detentor do poder genitor masculino. Todas suas representações incluem o branco. E um elemento fundamental dos primórdios, massa de ar e massa de água, a protoforma e a formação de todo tipo de criaturas no AIYE e no ORUN. Ao incorporar-se, assume duas formas: OXAGUIÃ jovem guerreiro, e OXALUFÃ, velho apoiado num bastão de prata (APAXORÓ). OXALÁ é alheio a toda violência, disputas, brigas, gosta de ordem, da limpeza, da pureza. Sua cor é o branco e o seu dia é a sexta-feira. Seus filhos devem vestir branco neste dia. Pertencem a OXALÁ os metais e outras substâncias brancas.

    Na África, todos os Orixás relacionados a criação são designados pelo nome genérico de Orixá Fun Fun. O mais importante entre todos eles chama-se Orixalá(Òrìsanlà), ou seja, o grande Orixá, que nas terras de Igbó e Ifé é cultuado cmo Obatalá, rei do pano branco. Eram cerca de 154 Orixás Fun Fun, mas no Brasil a quantidade se reduz significativamete, sendo que dois, Orixá Olùfón, rei de Ifón (Oxalufã), Orixá Ógìyán, o comedor de inhame e rei de Egigbó(Oxaguiã), tornaram-se suas expressões mais conhecidas.

    A designação de Orixá Fun Fun se deve ao fato de a cor branca configurar-se como a cor da criação, guardando a essência de todas as demais. O brando representa todas as possibilidades, a base de qualquer criação. O nome Orisanlá foi contraído e deu orígem a palavra Oxalá, e com esse nome o grande Deus-pai passoua ser conhecido no Brasil. Todos os Orixás Fun Fun foram reunidos em Oxalá e divididos em várias qualidades de suas duas configurações principais: Òsálufón, Osagiyan, sendo este último, jovem e grerreiro, filho do primeiro mais velho e paciencioso.

    Todas as histórias que relatam a criação do mundo passam necessariamente por Oxalá, que foi o primeiro Orixá concebido por Olodumaré e encarregado de criar não só o universo, como todos os seres, todas as coisas que existiríam no mundo.

    A maior interdição de Oxalá é de fato o azeite-de-dendê, que jamais deve macular suas roupas, seus objetos sagrados, e muito menos o seu Alá. A ú nica coisa vermelha que Oxalá permite, é a pena de Ikodidè, prova de sua submissão ao poder genitor feminino.

    Epó kété ó, Alà telè ó
    Epó kété ó, Alà telè ó...

    Evite o dendê, evite pisar no Alá
    Evite o dendê, evite pisar no Alá.

    O Alá representa a própria criação, está intimamente relacionado a concepção de cada ser; é a síntese do poder criador masculino. Sua função primeira já remete ao seu significado profundo. A ação de cobrir não evoca somente proteção, zelo, denota a atividade masculina no ato sexual.

    No Xirê Oxalá é homenageado por último porque é o grande símbolo da síntese de todas as orígens. Ele representa a totalidade, o único Orixá que, como Exú, reside em todos os seres humanos. Todos são seus filhos, todos são irmãos, já que a humanidade vive sob o meso teto, o grande Alá que nos cobre e protege, o céu.


Òsáàlá Olufon-Oxalufan


  • Dia: Sexta-feira
  • Data: 15 de janeiro
  • Metal: Prata, ouro branco, chumbo e níquel.
  • Pedras: Cristal, diamante
  • Cor: Branco leitoso.
  • Comida: Ebô, acaçá, oibi ( caracol ) e inhame.
  • Simbolo: Opáxoró
  • Elementos: atmosfera e céu
  • Região da África: Ilé-Ifè, Igbó e Ifón
  • Folhas: Ewé Bàbá (boldo), lingua-de-vaca, folha-da-costa
  • Odú que rege: Ofun e Alàfía (com todos os Orixás Fun Fun
  • Domínios: poder procriador masculino, criação, vida e morte
  • Saudação: Epa Bàbá


    Orígem e História

    OXALÁ é o detentor do poder genitor masculino. Todas suas representações incluem o branco. E um elemento fundamental dos primórdios, massa de ar e massa de água, a protoforma e a formação de todo tipo de criaturas no AIYE e no ORUN. Ao incorporar-se, assume duas formas: OXAGUIÃ jovem guerreiro, e OXALUFÃ, velho apoiado num bastão de prata (APAXORÓ). OXALÁ é alheio a toda violência, disputas, brigas, gosta de ordem, da limpeza, da pureza. Sua cor é o branco e o seu dia é a sexta-feira. Seus filhos devem vestir branco neste dia. Pertencem a OXALÁ os metais e outras substâncias brancas.

    Na África, todos os Orixás relacionados a criação são designados pelo nome genérico de Orixá Fun Fun. O mais importante entre todos eles chama-se Orixalá(Òrìsanlà), ou seja, o grande Orixá, que nas terras de Igbó e Ifé é cultuado cmo Obatalá, rei do pano branco. Eram cerca de 154 Orixás Fun Fun, mas no Brasil a quantidade se reduz significativamete, sendo que dois, Orixá Olùfón, rei de Ifón (Oxalufã), Orixá Ógìyán, o comedor de inhame e rei de Egigbó(Oxaguiã), tornaram-se suas expressões mais conhecidas.

    A designação de Orixá Fun Fun se deve ao fato de a cor branca configurar-se como a cor da criação, guardando a essência de todas as demais. O brando representa todas as possibilidades, a base de qualquer criação. O nome Orisanlá foi contraído e deu orígem a palavra Oxalá, e com esse nome o grande Deus-pai passoua ser conhecido no Brasil. Todos os Orixás Fun Fun foram reunidos em Oxalá e divididos em várias qualidades de suas duas configurações principais: Òsálufón, Osagiyan, sendo este último, jovem e grerreiro, filho do primeiro mais velho e paciencioso.

    Todas as histórias que relatam a criação do mundo passam necessariamente por Oxalá, que foi o primeiro Orixá concebido por Olodumaré e encarregado de criar não só o universo, como todos os seres, todas as coisas que existiríam no mundo.

    A maior interdição de Oxalá é de fato o azeite-de-dendê, que jamais deve macular suas roupas, seus objetos sagrados, e muito menos o seu Alá. A ú nica coisa vermelha que Oxalá permite, é a pena de Ikodidè, prova de sua submissão ao poder genitor feminino.

    Epó kété ó, Alà telè ó
    Epó kété ó, Alà telè ó...

    Evite o dendê, evite pisar no Alá
    Evite o dendê, evite pisar no Alá.

    O Alá representa a própria criação, está intimamente relacionado a concepção de cada ser; é a síntese do poder criador masculino. Sua função primeira já remete ao seu significado profundo. A ação de cobrir não evoca somente proteção, zelo, denota a atividade masculina no ato sexual.

    No Xirê Oxalá é homenageado por último porque é o grande símbolo da síntese de todas as orígens. Ele representa a totalidade, o único Orixá que, como Exú, reside em todos os seres humanos. Todos são seus filhos, todos são irmãos, já que a humanidade vive sob o meso teto, o grande Alá que nos cobre e protege, o céu.